Século XIX
- Ó minha Princesa, a procurei por toda parte! Entrei em desespero ao pensar que alguma coisa poderia acontecer à ti. E seria minha culpa, por ter chegado tarde de mais! - Falou o Príncipe, enquanto segurava amorosamente as mãos delicadas de sua amante.
- Oh, Lancelot, não te preocupes mais, eu estou bem! - Disse docemente, antes de deleitar-se nos braços daquela figura viril, que tanto transmitia-lhe proteção.
Os dois beijaram-se apaixonadamente. Lancelot ajeitou sua Princesa em seu cavalo branco, e os dois partiram em direção ao castelo. E foram felizes para sempre!
Infelizmente, príncipes em cavalos brancos não existem meninas. Sejamos francas, quem nunca teve aquele momento de esperança, achando que ele chegaria e finalmente aquele tão sonhado beijo apaixonado aconteceria? Mas não nos martirizemos. Sonhar, às vezes é bom. Às vezes.
Vejo pessoas se apavorarem e me acharem estranha quando digo que nunca me apaixonei na vida. Não que não tenha aparecido alguém que não valha a pena, mas diga-se de passagem: poucos, muito poucos, é possível contar nos dedos de uma só mão, e ainda torcendo para essa mão não ter um ou mais de seus dedos amputados. Apenas não apareceu aquele alguém, com um diferencial, que me fez balançar. Eu até arriscaria dizer que o dia que isso acontecer vai ser um marco histórico.
Bom, não posso esquecer de relatar também que aquela história "de nosso amor em uma cabana" (como diria minha amiga Duda) é calúnia. O amor não sobrevive por sí só. Ele precisa ser regado com perfume, creme dental e flúor, talco para os pés e afins. A realidade pode ser dura, às vezes. Ou pelo menos a minha é!
O fato é que, anos de abstinência amorosa me fizeram perder a credibilidade nos homens. Eu simplesmente não confio mais neles. Nossa, que trágico! Pois já é complicado até mesmo confiar em mim, imagine então nos outros, ainda mais sendo homens. E aquele papo 'você é linda e blá, blá, blá' nada mais passa de 'torne-se mais uma na minha lista'. Vale lembrar que não os generalizo, apenas tenho um imenso desprezo por aqueles que não prestam. O tipo 'galinha, é o pior e mais desprezível. Isso me lembra que já passa da hora de eu atualizar minha resposta para aquela tão questionada pergunta: "Você tem algum tipo de preconceito?". Agora a resposta é sim.
Provavelmente muitos podem descordar de mim em relação a esse assunto, entretanto sinto-me muito bem com a capacidade que tive de construir um escudo ao meu redor. Pois de uma coisa eu sei: Jamais me permitirei sofrer por culpa de um homem!
Século XXI
- Ó minha Princesa, a procurei por toda parte! Entrei em desespero ao pensar que alguma coisa poderia acontecer à ti. E seria minha culpa, por ter chegado tarde de mais! - Falou o Príncipe, enquanto segurava amorosamente as mãos delicadas de sua amante.
- Histórias são muito lindas e perfeitas, mas volte para elas... 'Lancelot'! - Pronunciou seu nome em tom de deboche.
- Perdão? - Um súbito apavoro percorreu as veias do Príncipe, tal como o sangue que entre estas, passam.
- Ó Lancelot, é uma pena, é realmente uma pena, que homens como você existam...- Ela levou a mão ao coração, enquanto pronunciava as palavras em tom de sofrimento. -...apenas em histórias!
- Creio que suas falas estão equivocadas. Talvez lhe foi dado o script errado! - Disse ele, com uma esperança que transparecia no olhar.
Soa a buzina de uma mercedes branca. Um homem muito atraente ocupa o lugar do motorista.
- Foi mal aí bonitão. Mas a estória da vida é outra! Meu namorado chegou, preciso ir, vamos ver quanto tempo dura todo esse amor...- Saiu em direção ao carro, rindo. - Ó Robert, você veio! Trouxe meu chá gelado? Obrigada.
O carro partiu. E eles foram...ahn...felizes para sempre???
