Uma noite fria, um beco mal iluminado e um vulto por este passando. Caminhava lentamente, usava um sobretudo preto e um chapéu, sua mão esquerda escondia-se no bolso, a mão livre levava à boca, em determinados intervalos de tempo, um cigarro.Eles se conheciam há 3 meses, se viam quase todos os dias na academia. Johnny era um sujeito boa pinta, corpo forte, bem estruturado, cabelos dourados, olhos cor de avelã. Desde a primeira vez que viu Annie, nunca mais a esqueceu. Ele sempre a manteve registrada em sua mente, lá estava guardado cada detalhe, desde seus cabelos escuros, donos de um brilho intenso, à seu corpo perfeitamente esculpido e seus olhos acinzentados, com um toque de mistério.
Eles haviam se falado naquela tarde, conversaram banalidades, ele entrou mais a fundo na conversa, e finalmente ouviu algo que realmente o agradara: ela estaria no Yummy Chow às 8.
Ao deixar o beco, logo se deparou com uma rua bem iluminada e movimentada. Ali estava o restaurante chinês, pequeno, com uma baixa iluminação e extremamente agradável. Romântico.
Ele entrou e pediu ao garçom a mesa do canto da àrea para fumantes. Sentou. Perfeito, seu rosto ficava encoberto por uma sombra; das outras mesas, apenas era identificável uma mão, levando um cigarro, que acabára de ser acendido, à boca.
8 horas e 6 minutos! Ela deve estar chegando... 8 e 18!!! Já é o terceiro que acendo. Só faço isso quando estou nervoso... mas não há motivo algum para eu me sentir assim! À mim em nada interessará este jantar.
Cof, cof, cof. Imediatamente o cigarro foi apagado. Seus olhos fixaram-se na entrada.
Jamais imaginaria que seria possível ela ficar tão mais bonita do que já é.
Annie usava um vestido tubinho de uma só manga, preto, liso e clássico, que modelava maravilhosamente bem suas curvas, e terminava na metade da coxa. Calçava uma bela sandália de salto alto, o que a deixava super elegante. Seus cabelos soltos acariciavam os ombros nus, e os lábios cheios, pintados de vermelho eram um convite à total distração. Logo atrás, entrou um homem, que levava uma das mãos às costas de Annie. O garçom os levou até uma mesa.
Só eu mesmo, um maluco deslumbrado. Afinal quem mais teria a brilhante ideia de ir a um restaurante, sozinho, só para poder admirar a mulher que não lhe sai da cabeça? E o 'melhor': admirá-la com um outro cara. Temo que a insanidade tenha me atingido!
Após Annie e seu acompanhante pagarem a conta e irem embora, esperou 5 minutos e só então foi pagar sua conta, sem a menor pressa. Ao sair do restaunte e dar alguns passos, ouviu uma voz chamar por seu nome:
- Johnny?
Ele sentiu como se estivesse petrificado naquele momento.
Não pode ser!
- A...Annie.- Se virou na direção dela. - Você aqui, quer dizer...eu aqui, não é mesmo? Esqueci de mencionar que sou um grande fã desse restaurante. - Sorriu sem graça.
Annie riu.
- Que ótimo, somos dois! Bem, deixa eu te apresentar, esse aqui é o Victor, meu irmão.
Às vezes é melhor levar um não do que se arrepender por não ter tentado. Principalmente quando não temos certeza que poderemos contar com a sorte!
Dedico meu primeiro conto a meu amigo Janjo.