sábado, 5 de fevereiro de 2011

Seja idiota!

Vai dizer que um dos momentos mais divertidos com os seus amigos não foi quando um de vocês estava fazendo alguma idiotice?

Aos 18 anos me peguei pensando: "Meu Deus, como eu sou idiota, às vezes... será que isso é normal, ou eu preciso de uma mudança urgente?" A partir de então comecei a observar as pessoas com quem tenho intimidade, em algum momento, umas mais, outras menos, elas agem idiotamente. Também já tive experiências, com pessoas que mal conhecia, que agiam de tal forma. Neste caso prefiro considerar a idiotice um comportamento exessivo.

Ser idiota é ser feliz, é rir, brincar... mas, é claro, dentro de um limite. Deixem a seriedade um pouco de lado. Quem muito se contém pouco se diverte. Não limite seu corpo ao prazer da incrível sensação de uma gargalhada. Permita-se ativar seu hipotálamo e, assim, chutar o estresse para bem longe.

Permita-se ser idiota...

Baseado em um texto de Ailin Aleixo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Quero voltar a ser criança...

Crianças não sabem que são cobrados impostos sobre seus tão preciosos chocolates, não conhecem a corrupção e não fazem ideia das coisas doentias que existem no mundo.


Esses pequeninos seres têm a capacidade de esperar o papai noel na chaminé, colocar cenoura para o coelhinho e acreditar que existem anjos e vampiros. Eles ainda conseguem viver num mundo diferente do nosso, onde seus maiores problemas, ao invés, de prestações e contas para pagar, são os monstros escondidos embaixo de suas camas. 


Eu quero voltar a ser criança! Quero esquecer que
vivo nesse mundo tão cheio de erros, quero sair na
rua e ver o buraco, que nela 'habita', e ver apenas
um buraco, não saber que ele está ali porque o dinheiro destinado ao mesmo tomou outro rumo, ou porque quem deveria estar se preocupando com as ruas da cidade não está nem aí.




É...quero voltar a ser criança...

sábado, 22 de janeiro de 2011

É complicado, mas...

"A vida não é complicada, o ser humano que a torna complicada."
Discordo.

Parei de escrever há um bom tempo atrás. Neste tempo passei por muitas coisas, tive a oportunidade de me questionar muito, e nem para todos estes questionamentos escontrei respostas.

Às vezes me sinto uma total fracassada, incapaz de fazer algo certo, bem feito.


"Tente achar algo que você realmente saiba fazer direito e goste." Algo que você realmente saiba fazer direito...e goste.

Bom, eu gosto de escrever. Se eu realmente sei fazer direito já nãosei, mas eu realmente gosto. Me dá uma sensação de liberdade, como se eu pudesse ser e fazer qualquer coisa. E literalmente falando, 'entre linhas', eu posso. Porém, acredito que escrever é revelar uma boa parte dos seus pensamentos, sentimentos e do seu estado de espírito, no momento.

Acho que parei de escrever por causa disso. No fundo não gosto de desnudar meu interior. É tão...o meu interior, tão privado, que prefiro manter isso em segredo. É como se eu me tornasse mais vulnerável quando me 'expresso'. Porém, sentir-me ou não assim, só depende de mim. Se eu decidir que não há o que temer, que não há problema algum em fazer isso, assim será.

E além de tudo, escrever é uma terapia. Uma terapia com você mesmo. Incrivelmente você passa a se conhecer mais, você descobre coisas sobre sí que não fazia ideia. Se eu tivesse que dar um conselho às pessoas eu diria: "Escrevam. Escrevam o que vocês estão sentindo."

A vida pode até ser complicada, mas existem maneiras de amenizar este fato.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Geyse A(who?)da! Mulheres do nosso Brasil.

O que leva a mídia a engrandecer a imagem de uma garota que, inocentemente, foi para a faculdade com um vestido curto? Será isso só no Brasil, que garotas ficam famosas por usarem roupas curtas, por mostrarem o corpo, por terem bunda e peitos grandes ou por cantarem músicas com letras que não agregam valor algum?

Provavelmente não, esse tipo de coisa pode e deve ocorrer em qualquer lugar. Talvez seja uma questão de cultura...? Se esta fosse uma possível resposta, consideraria sem sentido. Pois uma cultura desse tipo, nada mais passa do que por ignorante, pobre. São pessoas como estas que denigrem a imagem da mulher brasileira.

De mulher melância à mulher melão, mulher filé, mulher 'etc' e Stefany do Cross Fox. Mas em 2009 a maior descoberta dos últimos tempos...Geisy Arruda!!!

   Raaaw

Está aí um ícone que nos possibilita refletir o nível cultural das pessoas. O caso Geisy nada mais mostra do que a mídia cumprindo muito bem seu trabalho de idiotização em massa. A polêmica do vestido curto envolvento a atual ex estudante de turismo da Uniban, foi um prato cheio para o povo, pois o que a grande maioria quer e gosta, é o tal do barraco.

A pobre vítima não se calou após a poeira baixar. Já que estava sendo tão requisitada pela mídia, não perdeu a oportunidade de fazer seu pé de meia. E é tanto talento que falta espaço para a bela (,a feia).

Desde seu surgimento, já são muitas as peripécias armadas pela moça. Ela é a protagonista do clipe Regininha, do grupo Inimigos da HP, no qual atua como uma piriguete. Será mesmo que ela precisou atuar? Piri pipiri...

Mas, para mim, a notícia mais bombástica foi saber o quanto ela se acha parecida com Lady Gaga.

"Nós somos parecidas, eu me identifico muito com ela. Somos loiras, lindas e polêmicas. Antes das plásticas eu já me achava linda e poderosa. Os retoques só aumentaram essa segurança."


Não...me recuso a acreditar que ela teve a discrepância de dizer tal coisa. Lady Gaga? Claro.

Meninas, essa vocês vão adorar. Geyse ataca no mundo da moda, ela lançou a linha de vestidos Rosa Divino. Não dá para perder, não é? Corram e comprem já os seus. (Free merchandising)

E não para por aí não. A lindinha arranjou um namorado fazendeiro no quadro Vai dar Namoro, do programa Melhor do Brasil, da Record. Mas o lindo romance já encerrou.

''Nós terminamos por causa do ciúme dele, e no momento não penso em voltar porque sei que é um traço de sua personalidade, bem difícil de mudar. Não estou chateada, e provavelmente nem ele, sei que está saindo bastante em Minas Gerais.''

Hm, interesting. Nada mais brega do que arranjar namorado em programa de tv. Será mesmo que este era seu real interesse?

Mas Geisy é uma menina muito persistente, ainda há muito espaço para seus sonhos. E um dos mais insanos até agora é o de ser atriz.

''O que eu quero mesmo é ser atriz, estou fazendo curso de teatro, me preparando para isso. Quem sabe não rola uma oportunidade?''

Realmente, quem sabe NÃO rola uma oportunidade. Não me surpreenderei se ela aparecer em uma novelinha de alguma emissora. Ou se algum disco entitulado Geisy Pink, A funkeira, ou qualquer coisa do gênero, surgir de repente.

Termino esta matéria com uma foto da dita cuja, na qual percebe-se facilmente o quanto ela é parecida com Lady Gaga. Foto a qual eu intitulei: Dona Baratinha, O retorno.

   Geisy colocando as 'asinhas'? de fora durante 'ensaio', com cenário super 'gramuroso', composto por uma parede branca, com fita isolante colada na mesma

E a saga continua. (Infelizmente)

Quem sabe nossa querida Lady Geisy não venha a ser a personalidade mais influente do mundo? Igualando-se, assim, à Lady Gaga?

sábado, 3 de julho de 2010

Nem o tempo muda Parte 3/3

Jennifer estava deitada em sua cama sobre seus lençois vinho de seda, em concha com Genevive, sua gata persa de pelos brancos lustrosos. Seu quarto era pura classe, tinha um toque certo de simplicidade, e também um toque retrô. A parede atrás da cabeceira apresentava auto relevo, coberta por um vivo tom de vinho. Logo a frente, não muito longe dos pés da cama ficava sua tão estimada e antiga penteadeira, a qual Jennifer passava horas e horas se admirando.
- Ai Genevive, - suspirou enquanto alisava a gata. - vou te confessar  uma coisa... - Jen observou Genevive. - você acredita que eu acordei pensando nele hoje? É tão injusto não sermos capazes de controlar nossa mente, não é? - A gata permaneceu imóvel, dormindo, deliciada com os carinhos de sua dona. - Não arrume um gato Vi, ele provavelmente fará com que você se sinta e pense coisas patéticas. - Levantou-se da cama e foi em direção ao banheiro. - Vou tomar um banho meu amorzinho, hoje a noite promete. - Disse animada. A festa livraria sua mente de Eric, ela sabia.

- Diana Sanchez?
- Confirmado, Sr. Meinerz.
- Lena Reed?
- Acabei de falar com ela, o evento está confirmadíssimo, acontecerá na semana que vem.
- Eric...você está me surpreendendo. - Disse entrelaçando as mãos e apoiando os cotovelos na mesa. - Realmente acertei em contratar você meu rapaz. - Ele ofereceu a Eric um sorriso, que demostrava a imensa simpatia que sentia por aquele 'garoto' sentado a sua frente, do outro lado da mesa que os dividia.
- É muito bom ouvir isso Sr. Meinerz. Obrigado, e agradeço também pela oportunidade que o senhor me deu. - Ele sorriu de volta.
- Ora, não há o que agradecer. Aliás, se você quer mesmo agradecer apareça hoje lá em casa, convidei alguns amigos e faremos um churrasco. E por falar nisso, - disse, olhando o relógio. - já deveria estar a caminho de casa. Vamos indo. - Levantou-se, em seguida colocou o paletó e pegou a pasta. Eric se levantou também.
- Um churrasco...claro. - Droga, pensou. Ele não queria ver Jennifer em uma ocasião tão social, tão familiar...como nos velhos tempos.
- Faço questão da sua presença, filho. - Colocou uma mão no ombro de Eric enquanto saiam da sala.

Parado na rua em frente àquela elegante casa, Eric tambolirava os dedos no volante. Não vai ser tão ruim assim - disse a sí mesmo -  eu faço um social, confirmo presença e vou embora.

- Harry??? - Jen gritou e se atirou nos braços daquele moreno forte, bonito, de olhos claros.
- Caramba Jen, olha só pra você - se afastou um pouco para olhá-la - você está linda! Aliás, mais ainda...onde eu estava com a cabeça que eu não te pedi em casamento? Jen riu deliciada.
- Ainda há tempo bonitão. - Ela piscou para ele e em seguida apertou seus braços de leve. - E você, Uau!, tá mais forte do que nunca hein. - Jen mostrou-se surpresa.
- Isso tudo pode ser seu meu amor. - Disse fazendo pose de galã enquanto acariciava a rosto de Jen.
- Nossa...olha que assim eu me apaixono hein! -Os dois riram.
De repente o olhar de Jen se encontrou com o de Eric. O que ele estava fazendo ali, dividindo o mesmo espaço, respirando o mesmo ar? Justo hoje?
- Harry, vamos beber alguma coisa! - Ela enganchou seu braço no dele o levando em direção às bebidas.

- Hmmm, papai, eu te amo muito hoje. Vinho francês, e ainda por cima é o meu favorito...- Disse Jen, olhando para o pai, que lá longe assava a carne, e logo em seguida secou a terceira taça. - Meu pai é demais, não é Harry? - Ela virou o rosto para fitar o amigo, ambos estavam na espreguiçadeira, como costumavam fazer quando eram crianças.
- É sim Jen, mas acho que você deve ir devagar nesse vinho, por mais delicioso que esteja.
- Ah tudo bem tio Harry, eu prometo que vou me controlar. - E fez cara de menina obediente.
- Tá bom. - Ele riu. - Vou no banheiro e já volto.
Jen nem sequer respondeu, após largar a taça vazia na mesinha ao centro das duas espreguiçadeiras, ela se recostou, fechou os olhos e relaxou. Por um momento ela esqueceu o movimento de pessoas que havia ao seu redor, das risadas e vozes que se misturavam.
Ele sentou na outra espreguiçadeira, sem fazer barulho. Antes de falar qualquer coisa preferiu comtemplá-la por pelo menos alguns poucos, porém, valiosos segundos. Seu cabelo ruivo, parecia um tom vermelho ainda mais vivo esta noite. Seu semblante calmo, pintado com cores neutras lhe reavivou a memória. Ele voltou alguns anos no passado. Aquele vestido preto, com decote em V permitiu-lhe enxergar a curva de seus seios. O comprimento não passava da coxa, do jeito que ela sempre gostara, e descendo ainda mais os olhos, ele acompanhou seus tornozelos e pés, desnudos e bem cuidados. Seus sapatos de salto, é claro, estavam cuidadosamente ajeitados no chão. Então ele resolveu interromper aquele momento que até então estava muito agradável.
- Fugindo de mim?
Ela abriu os olhos, fitando-o, no mesmo instante. Levou um susto, não esperava ouvir aquela voz naquele momento.
- Continua fugindo de mim?
Jen abriu a boca para responder alguma coisa, qualquer coisa, mas o som não saiu.
- Não precisa ter medo, eu não pretendo te sequestrar e pedir resgate, ou qualquer coisa do tipo. Até mesmo porque nem valeria a pena.
Eles não eram mais adolescentes, ela não cairía nessas briguinhas bobas novamente. Agora ela era uma mulher e sabia exatamente como se controlar.
- Ora, seu idiota, como você...- Ela parou de repente e sentou-se, no mesmo instante em que levantara, ao ver um Harry confuso, que acabara de chegar, parado, olhando para eles.
- É...eu volto em uma outra hora. - Disse Harry desapontado.
- Não é preciso, eu já estava mesmo de saída, pra falar a verdade eu tenho um...outro compromisso. E não quero atrapalhar vocês.- Eric já ia se levantando.
- Mentiroso! Você está mentindo, nem para mentir você serve. Nunca soube mentir.
- Nossa...se você me conhece tanto assim deveria saber quando eu minto e quando falo a verdade. - Eric se sentou novamente, e encarou-a nos olhos. Ele estava começando a ficar irritado, ela pôde ver.
- Eu...vou no banheiro, com licença...- Harry não perdeu tempo, virou-se e começou a andar para longe dali.
- Mas Harry, - Jen virou o rosto para olhá-lo, e o viu já há alguns passos de distância. - você acabou de voltar do ba...
Não houve tempo para completar a frase. Jen sentiu seu rosto ser puxado e sua boca ser invadida. Sentiu fúria naquele gosto, mas ao tempo, amor, um amor descontrolado, sedento. Ela também tinha sede, a mesma que Eric e resolveu corresponder ao beijo, afinal necessitaria de muito esforço para não o fazê-lo. Eric tomou coragem para separar suas bocas. Ele tentou encontrar o olhar de Jennifer, mas ela permaneceu de olhos fechados.
- Jenny...- ele falou colocando as mãos em volta do rosto dela, um pouco ofegante. - eu quero você, eu quero a Jennifer que eu conheci e namorei há anos atrás, sem mais fugas, sem mais distância. - Ela abriu os olhos e encarou-o.
- Eu acredito em você, Eric. - Disse com a voz firme. Eric olhou-a confuso. - Eu acredito que você não me traiu.
Incrível como algumas poucas palavras ditas por ela poderiam inundar-lhe por uma imensa sensação de felicidade. Os olhos dele começaram a brilhar, e não contendo tanta alegria ele abriu um sorriso.
- Nossa Jen, então...
- Massss... - ela disse, desvencilhando-se das mãos dele, delicadamente. - você não pode querer e não pode ter algo que não existe mais. Aquela Jennifer ingênua, que sofria por amor ficou no passado. As pessoas mudam, assim é a vida.
Incrível como algumas poucas palavras ditas por ela poderiam inundar-lhe por uma imensa sensação de decepção. Enquanto fitava-a incrédulo, fazia força para encontrar algo para falar.
- É... você tem mesmo razão quando me chama de idiota. Você teve razão a vida inteira quando insistia em me xingar assim. Porque eu sou mesmo um total idiota. Massss...as pessoas mudam, assim é a vida. - Ele se levantou e lentamente começou a andar de costas, ainda a fitando. Então se virou e tomou o rumo da saída. Dessa vez era pra sempre, decidiu.

Ela ficou ali, sentada, sozinha, suas mãos estavam sobre o colo, imóveis, seu olhar direcionado para o chão, nada captava. Parecia que ela não estava ali naquele momento. Droga. Ele não tinha esse direito, de deixá-la tão confusa.

Eric entrou no carro e bateu a porta. Levou as mãos ao volante, o qual estava praticamente sendo estrangulado por seus dedos. Sentiu os olhos embaçados, e lágrimas lhe escaparam.
- Que ódio...que ódio. - Disse dando um soco no volante e em seguida secou os olhos. - Essa é a última vez que eu choro por você. - Ao terminar de falar isso sentiu seu celular vibrar no bolso.

Jenny:
"Não, eu não tenho razão, não tenho razão alguma. A idiota sou eu. E os idiotas merecem uma segunda chance. Não sou e não voltarei a ser a Jennifer de antes, mas ainda assim eu amo você. Não me deixe."

Após ler a mensagem deixou o celular de lado, e suspirou longamente. Ele tinha duas opções agora. Ir até ela, sentindo-se o maior idiota da face da Terra. Pelo menos assim não perderia seu tão 'reforçado posto'. Ou ir embora e evitar espezinhar e matar seu orgulho.
Eric ligou o carro e esperou alguns momentos. Até que abriu a porta e saiu, em direção à casa.
- Eu odeio você Jennifer, como eu odeio você...

sábado, 19 de junho de 2010

Nem o tempo muda Parte 2/3

A porta automática abriu, e ela entrou, triunfante, esbanjando formosura e classe. Ela estava em perfeita harmonia consigo mesma, desde seu humor a sua roupa. Usava um vestido tomara que caia beje, justo até a cintura, e mais solto, gradativamente, até a altura da coxa, uma meia-calça preta, uma bota de cano curto, com bico arredondado e usava por cima um sobretudo preto, aberto. Seus saltos acariciavam o chão, seu desfile era um show de leveza e elegância e, com certeza, arrancava muitos olhares.
- Muito bom dia pra você Marta! - Disse, tirando os óculos de sol, e curvou os lábios para cima, os quais estavam pintados em um tom de vermelho, cumprimentando a recepcionista.
- Bom dia Jen. Seja bem vinda!
- Obrigada.

Vários cumprimentos foram direcionados a ela, enquanto percorria o caminho para a sala presidencial. Murmúrios e fofocas também não ficaram de fora. Ao abrir a porta logo se deparou com seu pai, sentado, atrás de uma mesa, vestido com um terno, como de costume.
- Bom dia papai! - Sorriu revelando um lindo sorriso e dentes, incrivelmente brancos. Ao chegar até ele, beijou-o na testa, e largou sua bolsa sobre a mesa.
- Oo minha filha, bom dia. - Ele beijou a mão de Jen. - Finalmente você está aqui com outra finalidade, que não vir me visitar. - Sorriu.
- Pois é papai. Aquela menininha cresceu, se formou e agora está na hora de revolucionar a empresa da minha família, ou seja, a minha empresa. Ai papai, você vai ver só, o mundo dos eventos nunca mais será o mesmo. Grave esse nome: Jennifer Meinerz! - Riu animada.
- Ah, mal posso esperar para ver. - Disse, mostrando-se assustado.
- Ai credo, você deveria me dar todo o apoio, isso sim. Bom, mas isso não vem ao caso agora. Vou lá conhecer o mais novo Relações Públicas contratado. Você nem ao menos me informou quem era o tal...descobrirei por mim mesma.- Pegou sua bolsa e, direcionou-se para a saída. - Tchau, meu gatão de meia idade favorito.
- Você nem ao menos se interessou, Jen...- A porta já havia sido fechada.

- Pode entrar. - Ele disse após ouvir leves batidas na porta.
- Com licença, eu sou Jennifer Mei...nerz. - Sua fisionomia sorridente mudou no mesmo instante, estava, agora, visivelmente emburrada.
- Ah, olá Jennifer. - Ele estendeu a mão, dirigindo-se ao encontro dela. - Creio que já nos conhecemos. - Sorriu, inocente. Uau, como sempre, divina, ele pensou.
Ela ignorou seu braço estendido. O fitava, incrédula.
- Eric Davis. - Jen pronunciou seu nome de tal forma que pareceram palavras completamente inúteis.
- Exatamente, acho que você ainda lembra de mim, sua memória não é tão ruim assim.
- Ah, pra falar a verdade minha memória é ótima, principalmente quando se trata de coisas insignificantes, eu faço questão de me lembrar para ficar bem longe, sabe. E por sinal, - checou seu celular. - já está na minha hora. Mas primeiro eu quero saber... porque a empresa do meu pai, onde, você sabe, que eu vou trabalhar de agora em diante? O que você fez para convencer ele a te dar um emprego?
- Ah Jen, não vem com essa, você sabe que o sogrão sempre gostou de mim. Desde a época que a gente namorava. E eu me formei há pouco tempo, seu pai me ofereceu uma oportunidade, principalmente porque ele confia em mim! - Eric se encostou na mesa que estava atrás dele, apoiando as mãos na borda, uma em cada lado do corpo.
Ela precisava de pelo menos alguns segundos, para se concentrar naquele cabelo louro escuro e rebelde, que ela sempre achara super sexy. Aqueles lábios apetitosos que ele possuía, aqueles músculos cobertos por uma camiseta de algodão roxa, e um blazer preto, acompanhados por uma calça jeans preta, e um tênis, também preto, de cano baixo, com o solado branco, o que dava um toque todo especial, um detalhe, em meio a todo aquele preto, que, diga-se de passagem, lhe caía muito bem. Oh meu Deus, como ele era lindo. Que vontade de beijar aqueles lábios...Chega!, ordenou a si mesma.
- Hm. Bom, espero que você não seja incopetente e idiota o suficiente para desperdiçar uma chance dessas e, decepcionar o 'sogrão'. Se você o fizer, admito que não ficarei nem um pouco triste. Até farei uma festa para comemorar, não seria ótimo? - Sorriu, demonstrando um entusiasmo repentino.
Ele a puxou, colando o corpo dela no seu. Deixando suas bocas a milímetros de distância.
- Se essa festa for só entre nós dois, - deslizava suas mãos pelas costas dela. - então seria mesmo ótima. - Levou uma das mãos até sua nuca, enganchou-a nos cabelos de Jen e a beijou, calmamente. Ela se rendeu, o tempo suficiente para sentir o gosto de Eric, e saber que isso a torturaria por alguns minutos, talvez horas...talvez dias.
- Para! - ela o empurrou, se desvencilhando de suas mãos. - Se você acha que vai ficar me usando, como faz com várias outras por aí, está muito enganado, eu não caio mais nessa...você nunca mais vai me enganar! - Gritou a última frase, enquanto sentia o calor de uma lágrima escorrer-lhe pela face. E virou-se para ir embora, o mais rápido possível. Maldita lágrima qua a havia traído.
Ele a olhou atônito e assustado. O ato de segurar o braço dela, foi por puro impulso, nem ao menos teve tempo de pensar.
- Me solta. - Gritou.
- Calma! Vamos conversar. Você não sai daqui enquanto não me explicar toda essa história. Você me acusa de coisas que eu não fiz. Tenho, pelo menos, o direito de saber o porquê!
Ela sabia que não adiantaria gritar, espernear, chorar...Eric não descansaria até ela contar o que ele queria. Desvencilhou o braço das mãos dele. Colocou a bolsa em cima da mesa, sentou em uma poltrona e cruzou as pernas, elegantemente.
- Ok. - Suspirou. - Não vou fugir, quanto mais rápido eu resolver isso, mais rápido eu me livro de você! Bom, há cinco anos atrás, quando eu viajei pra França, te deixando sozinho, desolado, - ela deu uma risadinha irônica. - na verdade eu ia te contar tudo àquela noite, não tive coragem de contar antes, e viajaria no dia seguinte. A princípio eu ia apenas visitar a faculdade, não tinha decidido nada ainda...por você. Mas depois que o Jake me disse que você tinha passado na casa da Giovana, e ficado lá pelo menos algumas horas...eu consegui adiantar o voo. O próprio irmão dela que contou para o Jake. Você não contava que a sua 'incrível queda pela ex-namorada' ia chegar até mim tão rápido, não é mesmo? Ainda bem que o Jake não espalhou essa história pra ninguém. Imagine só, todo mundo ficar sabendo que eu fui traída por aquela sem sal...
- Você é ridícula! Ah, um amigo do conhecido do meu amigo me disse que você iria se jogar da ponte. Mas, infelizmente, eram apenas boatos, porque você está aqui ainda. - Ele se levantou, irritado, passando a mão por entre os cabelos. - E o Jake, - ele riu alto, debochado. - ele simplesmente era doido por você. É claro que não iria te contar que eu fui lá pra ajudar uma amiga, que estava com um problema. A única verdade é que eu traí a minha linda namorada há anos atrás, não é? - Ele se curvou e acariciou o rosto dela, olhando-a nos olhos, que lutavam para segurar lágrimas, ele notou. - A minha linda namorada, que preferiu acreditar em qualquer um e fugir...em vez de falar comigo.
Várias lágrimas percorreram o rosto de Jen. Aquilo era demais pra ela, chorar na frente dele? Não podia estar acontecendo. Ela o empurrou, pegou a bolsa e saiu, batendo a porta.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Nem o tempo muda Parte 1/3


Toc, toc, toc, toc... Mesmo depois de cinco anos ele ainda reconhecia seu andar decidido, aquele ritmo prepotente de seu salto alto, era como se o chão se rendesse para o desfile dela. Alí, encostado no armário da sala de ginástica, e de braços cruzados, apenas esperava ela dobrar o corredor para finalmente reencontrá-la depois de tanto tempo. Da direção que ela vinha apenas havia acesso para o corredor dos armários, que naquele momento encontrava-se vazio, a não ser pela presença dos dois.
Ela parou subitamente e levou a mão ao peito quando deparou-se com a presença dele.
- Caramba, você me assustou!!! - Falou em um tom irritado.
Foi impossível para ele não notar o quanto ela havia mudado, suas curvas estavam mais realçadas, seus cabelos ruivos mais radiantes, desenrolavam-se em largas e bem feitas ondas por suas costas, seu olhar, de um verde vivo e intenso, mais penetrante. E lembrou como ela ficava ainda mais atraente quando, em particular, ele, a deixava irritada.
- Sinceramente, eu esperava um reencontro menos...incomum. - Ele disse sorrindo levemente.
- Sinceramente, eu nem ao menos esperava um reencontro. - Sua voz saiu mais fria do que pretendia.
Caminhou até ele, encarou-o por alguns segundos, antes de falar novamente.
- Com licença, você está apoiado no meu armário.
- Perdão mademoiselle. - Afastou-se fazendo reverência em direção ao armário. - Incrível como o Sr. Meinerz ainda exerce profunda influência no clube...por cinco anos eles mantêm um armário inutilmente trancado.
- Papai é um dos melhores sócios desse clube, se não fosse por ele isso aqui não seria nem a metade do que é. E em relação ao 'inutilmente'... - Repetiu em tom de deboche. - nada é inútil quando o nome Jennifer Meinerz está envolvido! - Arqueou uma sobrancelha e lançou-lhe um olhar de importância.
- Uau, humildade hoje e sempre, hein. E preciso dizer, que estou impressionado como ela se desenvolveu nesses anos.
Ela abriu a boca para responder-lhe, enquanto, juntamente, abriu o armário, mas a voz travou em sua garganta e logo, foi embora, para bem longe. Na porta, recém aberta, havia fotos coladas na parte interna, elas mostravam um casal que parecia incrivelmente feliz, além de bilhetinhos adolescentes, de amor. Por impulso fechou a porta instantâneamente, causando um estrondo, que ecoou pelos corredores desertos. Lembranças invadiram a mente de ambos, provocando-lhes alegria e dor ao mesmo tempo. Jen ficara pálida, e após recobrar a consciência decidiu que precisava sair de perto dele, naquele momento.
- E..eu vou..me trocar. - Saiu em direção ao banheiro feminino, o qual ficava há alguns passos à direita do local onde estavam.
Eric encheu as bochechas de ar e soltou-o demoradamente enquanto passava a mão pelos cabelos, seu típico ato de preocupação.

Seu idiota, porque você simplesmente não desaparece? - Pensava e simultâneamente procurava por sua blusa de ginástica na bolsa apoiada sobre o banco.
- Você vai continuar fugindo, como sempre fez? - Escancarou a porta agressivamente.
Ela, deu um grito de susto, e atrapalhadamente tentou cobrir o corpo semi-nu, coberto apenas pela calcinha e o sutiã, com a blusa que finalmente achara. Não havia nada que a deixava mais irritada quando era pega desprevenida, em qualquer situação.
- O que você pensa que está fazendo seu idiota??? Sai daqui agora!!! - Disse furiosa.
- É...puxa...- Olhou demoradamente para ela, hipnotizado. - É... Não! Eu não saio daqui até você me responder. - Retomou a firmeza na voz e olhou-a diretamente nos olhos, desafiando.
- Responder o que seu maluco?
- Porque você fugiu? Há cinco anos atrás, porque você, sem nenhuma explicação desapareceu de repente, sem nem me avisar? - Perguntou enquanto se aproximava dela.
- Ora, você sabe muito bem, não se faça de tolo. Eu tinha que pensar no meu futuro. Minha mãe me deu a escolha de ir fazer faculdade na França e eu nem ao menos hesitei. Você não acha que eu deixaria passar uma oportunidade dessas para ficar aqui, alienada, vivendo um amorzinho juvenil sem futuro, não é? - Ela continuava encolhida, com a blusa sobre o peito, mas nem se deu conta.
- Mentira. Mentira. Eu nunca engoli essa histórinha. Quando os boatos chegaram até mim, eu tive certeza que você havia mentido. Eu sei que aquele amorzinho juvenil significava muito pra você, pra nós. - Agora, estava perto o suficiente dela, conseguia sentir suas respirações indo de encontro uma a outra, de forma que o torturava.
O olhar deles se encontrou. Formou-se uma mistura de raiva e desejo entre ambos. Sem mais forças para resistir, Eric tomou-lhe a boca, fazendo-a soltar um gemido baixo, relutante, enquanto a puxava contra seu corpo , firmemente. Jennifer amoleceu, cedeu. Ele a soltou, deixando-a atordoada. Por um momento ela esqueceu onde estava e o que fora fazer ali.
- Viu? Isso prova o quanto você mentiu...você ainda sente algo por mim.
Ela o encarou, confusa, antes de voltar à Terra. Em seguida colocou a blusa, e o empurrou, livrando o seu caminho até a bolsa, onde pegou um short e o vestiu.
- Rá, rá! Havia esquecido dos seus dotes humorísticos. Sou assediada, agarrada, violentada à força, e obrigada a ouvir que 'ainda estou loucamente apaixonada por você'. - Tentou imitar a voz dele. - E, a propósito, eu não menti. Você mentiu. - Sentou no banco para calçar os tênis. - Como foi sua virada de ano há cinco anos atrás?
Deu-se uma pausa. Alguns segundos de silencio.
- Foi a pior de todas. Você me deixou lá plantando, eu fiquei super preocupado, e só no dia seguinte fiquei sabendo por outros que você estava há milhas de distância e...pera aí, não muda o foco. Você e sua mania de transferir a culpa para os outros. Como assim eu menti?
- O quê? Não vai me dizer que você esqueceu. - Disse da forma mais irônica possível. - Ah, duvido. Tenho certeza que a Gigi não ia deixar isso acontecer. - Mostrou-lhe seu sorriso mais amigável.
- Você tá falando da Giovana?
- Bingoooo!
- Ah, pera aí, não vai me dizer que ela foi o motivo daquilo tudo. Porque foi sempre assim, de dez brigas nossas, em nove ela era o problema. Incrível como você tinha o poder de focar suas energias nela. - Falou impaciente.
- Boa jogada lindinho. Quase me convenceu. - Levantou e ajeitou sua bolsa no ombro. - Bom, agora eu vou focalizar minhas energias nos aparelhos de ginástica. Já perdi tempo de mais ouvindo bobagens.
Virou as costas e encaminhou-se à porta com sua pose de poderosa. Ela adorava fazer aquilo no meio de discussões. Era como sentir um doce gosto de vitória e vingança, ao mesmo tempo, em sua boca. Era seu vício. Eric ficou alí com cara de taxo. Sempre que ela fazia isso o deixava sem poder de reação. Ela lançava seu feitiço e Bum!, desaparecia. Mas ele voltaria a procurá-la, seu interesse em tirar aquela história a limpo era incrivelmente imenso, para seu desespero.